Saúde

Saúde deve receber vacinas contra varíola dos macacos em setembro





O Ministério da Saúde disse nesta 6ª feira (29.jul.2022) que espera receber da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) a 1ª remessa de vacinas contra a varíola dos macacos em setembro. O 2º lote deve chegar em novembro. No total, o Brasil negocia 50.000 doses.

De acordo com o Secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, a previsão é de que cerca de 21.000 doses sejam entregues em setembro. O imunizante será aplicado em profissionais da saúde, sobretudo aqueles que fazem o manuseio com as amostras biológicas, e as pessoas que tiveram contato com pacientes infectados.

“São duas parcelas. Eu posso estar equivocado. Eu acho que é 21.000 na 1ª e 29.000 na 2ª ou vice-versa. São duas parcelas de aproximadamente 50% em cada parcela, se houver a garantia desse cronograma. Fica mais ou menos nesse radar: aproximadamente 20.000 ou um pouco mais na 1ª remessa e o restante na 2ª remessa”, disse.

O secretário disse que, à princípio, o Brasil não fará campanha de vacinação contra a varíola dos macacos. Ele ressaltou que o índice de transmissibilidade e de letalidade da doença são baixos e diferentes dos observados na covid-19.

Medeiros indicou também a intenção do governo federal de fazer tratativas com o Instituto Butantan ou com o Instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), caso eles produzam o imunizante contra varíola dos macacos.

1ª morte

O Ministério da Saúde confirmou nesta 6ª feira (29.jul) a 1ª morte no Brasil por varíola dos macacos. A vítima era um homem de 41 anos, com imunidade baixa e comorbidades, incluindo câncer (linfoma). Ele estava internado em um hospital público em Belo Horizonte.

Segundo o ministério, a causa da morte foi choque séptico, agravada pela monkeypox. O ministério informou em entrevista a jornalistas nesta 6ª feira (29.jul) que irá investigar a preponderância dessas comorbidades para o óbito do paciente.

O caso foi o 1º óbito registrado fora do continente africano. O diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou em 20 de julho que, ao todo, 5 pessoas haviam morrido em decorrência da doença. Todas as mortes se deram em países da África.

 

- Ministério da Saúde nega campanha de vacinação contra varíola dos macacos

O Ministério da Saúde afirmou hoje que o Brasil tem 50 mil doses da vacina contra a varíola dos macacos e que não preveem uma vacinação em massa. Caso o cenário mude, a pasta afirma estar aberta a fazer acordos com laboratórios como, por exemplo, o Butantan. A declaração ocorre depois de a pasta confirmar hoje uma morte relacionada à varíola dos macacos, no Brasil.

"Trata-se de um paciente do sexo masculino, de 41 anos, com imunidade baixa e comorbidades, incluindo câncer (linfoma), que o levaram ao agravamento do quadro. Ficou hospitalizado em hospital público em Belo Horizonte. A causa de óbito foi choque séptico, agravada pela doença", afirmou o governo.

De acordo com o boletim mais recente do ministério, 1.066 casos da doença foram registrados no país, a maioria em São Paulo e no Rio de Janeiro. O ministério está tratando a doença como surto, o primeiro estágio da evolução de contágio, antes de epidemia e pandemia. O surto acontece quando há o aumento repentino do número de casos de uma doença em uma região específica, maior que o esperado pelas autoridades.

O secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, disse que a pasta entendeu que precisava aumentar o nível de alerta para a doença. "Os primeiros casos eram importados, tinham clara relação com viagens a países com surto ativo, mas hoje no Brasil, temos transmissão comunitária. Aí a grande importância das pessoas, ao sentirem qualquer sintoma, procurarem uma Unidade Básica de Saúde", afirmou.

O Ministério disse ontem que montará um grupo para coordenar a resposta, com a participação de várias instituições de saúde, como o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a Opas, braço da OMS nas Américas.

Ainda não há vacina disponível para a doença no país, mas a pasta diz que negocia a compra. "A pasta tem buscado as alternativas céleres para aquisição da vacina e articulado com a OPAS/OMS as tratativas para aquisição do imunizante. Dessa forma, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) poderá definir a melhor estratégia de imunização para o Brasil", afirmou em nota.

Veja o número de casos por estado:

  • São Paulo: 823
  • Rio de Janeiro: 124
  • Minas Gerais: 44
  • Paraná: 21
  • Distrito Federal: 15
  • Goiás: 13
  • Bahia: 5
  • Ceará: 4
  • Santa Catarina: 4
  • Rio Grande do Sul: 4
  • Pernambuco: 3
  • Rio Grande do Norte: 2
  • Espírito Santo: 2
  • Tocantins: 1
  • Acre: 1

Quais os sintomas da varíola dos macacos?

A doença começa com febre, fadiga, dor de cabeça, dores musculares, ou seja, sintomas inespecíficos e semelhantes a um resfriado ou gripe.

Em geral, de a 1 a 5 dias após o início da febre, aparecem lesões na pele, que são chamadas de exantema ou rash cutâneo (manchas vermelhas). Essas lesões aparecem inicialmente na face, espalhando para outras partes do corpo. Elas vêm acompanhadas de coceira e aumento dos gânglios

Vale ressaltar que uma pessoa é contagiosa até que todas as cascas caiam —as casquinhas contêm material viral infeccioso— e que a pele esteja completamente cicatrizada.

De acordo com a OMS, até o momento, apenas 10% dos pacientes tiveram de ser internados por causa da doença e já são mais de 18 mil casos registrados no planeta.

Como é a transmissão da varíola dos macacos?

A varíola dos macacos não se espalha facilmente entre as pessoas —a proximidade é fator necessário para o contágio. Sendo assim, a doença ocorre quando o indivíduo tem contato muito próximo e direto com um animal infectado (acredita-se que os roedores sejam o principal reservatório animal para os humanos) ou com outros indivíduos infectados por meio das secreções das lesões de pele e mucosas ou gotículas do sistema respiratório.

A transmissão pode ocorrer também pelo contato com objetos contaminados com fluidos das lesões do paciente infectado —isso inclui contato a pele ou material que teve contato com a pele, por exemplo as toalhas ou lençóis usados por alguém doente

Fonte: Poder360 - UOL